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domingo, 17 de dezembro de 2017

LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 8º e 9º ANO COM GABARITO - PARTE 02

Atividade de leitura, análise e interpretação de textos sugerida para trabalhar com estudantes do 8º e 9º ano do ensino fundamental.

QUESTÃO 01 - (Estabelecer relação causa/consequência entre partes e elementos do texto).

O homem que entrou pelo cano

Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra um desvio, era uma seção que terminava em torneira.
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante. No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: "Mamãe, tem um homem dentro da pia".
Não obteve resposta. esperou, tudo quieto. a menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. São Paulo: Global, 1988, p. 89.

O homem desviou-se de sua trajetória porque

(A) ouviu muitos barulhos familiares.
(B) já estava "viajando" há vários dias.
(C) ficou desinteressado pela "viagem".
(D) percebeu que havia uma torneira.

QUESTÃO 02 - (Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros).

Mente quieta, corpo saudável

A meditação ajuda a controlar a ansiedade e a aliviar a dor? Ao que tudo indica, sim. Nessas duas áreas os cientistas encontraram as maiores evidências da ação terapêutica da meditação, medida em dezenas de pesquisas. Nos últimos 24 anos, só a clínica de redução do estresse da Universidade de Massachusetts monitorou 14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações gástricas. Os técnicos descobriram que, submetidos a sessões de meditação que alteram o foco da sua atenção, os pacientes reduziram o nível de ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos.

Revista Superinteressante, outubro de 2003.

O texto tem por finalidade

(A) criticar.
(B) conscientizar.
(C) denunciar.
(D) informar.

QUESTÃO 03 - (Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto).

Pressa

Só tenho tempo pras manchetes
no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor
escolho os filmes que eu não
vejo
no elevador
Pelas estrelas que eu encontro
na crítica do leitor
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Eu me concentro em apostilas
coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro
por cartão-postal
Eu sei de quase tudo um pouco
e quase tudo mal
Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa
mas nada tanto assim

Bruno & Leoni Fortunato. Greatest Hits' 80. WEA.

Identifica-se termo da linguagem informal em

(A) "Leio os roteiros de viagem enquanto rola o comercial" (v. 14-15)
(B) "Conheço quase o mundo inteiro por cartão-postal" (v. 16-17)
(C) "Eu sei de quase tudo um pouco e quase tudo mal" (v. 18-19)
(D) "Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa mas nada tanto assim" (v. 20-21)

QUESTÃO 04 - (estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios etc.).

As enchentes de minha infância

Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio.
Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a família defronte teve medo.
Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo - aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes.

BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962, p. 157.

Que função desempenha a expressão destacada no texto "[...] o volume do rio cresceu tanto que a família defronte teve medo". (2º parágrafo)

(A) adição de ideias.
(B) comparação entre dois fatos.
(C) consequência de um fato.
(D) finalidade de um fato enunciado.

QUESTÃO 05 - (Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados).

  CIÇA. O Pato no formigueiro. Rio de Janeiro: Condecri, v. 2.

O que torna o texto engraçado é

(A) a aluna é uma formiga.
(B) a aluna faz uma pechincha.
(C) a professora dá um castigo.
(D) a professora fala "xis" e "cê agá".

QUESTÃO 06 - (Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações).


No terceiro quadrinho, os pontos de exclamação reforçam ideia de

(A) comoção.
(B) contentamento.
(C) desinteresse.
(D) surpresa.

QUESTÃO 07 - (Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão).

"Chatear" e "encher"

Um amigo meu me ensina a diferença entre "chatear" e "encher". Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer da cidade.
- Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?
- Aqui não tem nenhum Valdemar.
Daí a alguns minutos você liga de novo:
- O Valdemar, por obséquio.
- Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
- Mas não é do número tal?
- é, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.
Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:
- Por favor, o Valdemar chegou?
- Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?
- Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
- Não chateia.
Daí a dez minutos, liga de novo.
- Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?
O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.
Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:
- Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?

CAMPOS, Paulo Mendes. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, v. 2, p. 35.

No trecho "Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar" (linha 7), o emprego do termo destacado sugere que o personagem, no contexto,

(A) revelava impaciência.
(B) era gentil.
(C) era curioso.
(D) desconhecia a outra pessoa.

QUESTÃO 08 - (Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos).

A chuva

A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios. A chuva molhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva embarrancou as pedras. A chuva alagou a favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A chuva anoiteceu de tarde. A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. A chuva destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A chuva apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu nome. A chuva ligou o parabrisa.
A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina. A chuva com as gotas grossas. A chuva de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas. A chuva senhora da lama. A chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os móveis. A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto. A chuva multiplicando insetos.
A chuva sobre os varais. A chuva derrubando raios. A chuva a luz. A chuva molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os porcos. A chuva fez muitas poças. A chuva secou ao sol.

ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo: Iluminuras, 1996.

Todas as frases do texto começam com "a chuva". Esse recurso é utilizado para

(A) provocar a percepção do ritmo e da sonoridade.
(B) provocar uma sensação de relaxamento dos sentidos.
(C) reproduzir exatamente os sons repetitivos da chuva.
(D) sugerir a intensidade e a continuidade da chuva.

QUESTÃO 09 - (Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema em função das condições em que ele foi produzido e daqueles em que será recebido).

Texto I

Sem proteção jovens enfrentam mal e acne, mostra pesquisa

Transtorno presente na vida da grande maioria dos adolescentes e jovens, a acne ainda gera muita confusão entre eles, principalmente no que diz respeito ao melhor modo de se livrar dela. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo projeto Companheiros Unidos contra a Acne (Cucas), uma parceria do laboratório Roche e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Foram entrevistados 9.273 estudantes, entre 11 e 19 anos, em colégios particulares de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Paraná, Alagoas, Ceará e Sergipe, dentre os quais 7.623 (82%) disseram ter espinhas. O levantamento evidenciou que 64% desses entrevistados nunca foram ao médico em busca de tratamento para espinhas. "Apesar de não ser uma doença grave, a acne compromete a aparência e pode gerar muitas dificuldades ligadas à autoestima e à sociabilidade", diz o dermatologista Samuel Henrique Mandelbaum, presidente da SBD de São Paulo. Outros 43% dos entrevistados disseram ter comprado produtos para a acne sem consultar o dermatologista - as pomadas, automedicação mais frequente, além de não resolverem o problema, podem agravá-lo, já que possuem componentes oleosos que entopem os poros. [...]

Fernanda Colavitti

Texto II

Perda de tempo

Os métodos mais usados por adolescentes e jovens brasileiros não resolvem os problemas mais sérios de acne.
23% lavam o rosto várias vezes ao dia.
21% usam pomadas e cremes convencionais.
5% fazem limpeza de pele.
3% usam hidratante.
2% evitam simplesmente tocar no local.
2% usam sabonete neutro.

COLAVITTI, Fernanda. Veja. Outubro/2001, p. 138.

Comparando os dois textos, percebe-se que eles são

(A) complementares.
(B) contrários.
(C) divergentes.
(D) semelhantes.

QUESTÃO 10 - (Reconhecer a ideia central do texto).

Homem de Meia-Idade (Lenda chinesa)

Havia outrora um homem de meia-idade que tinha duas esposas. Um dia, indo visitar a mais jovem, esta lhe disse:
- Eu sou moça e você é velho; não gosto de morar com você. Vá habitar com sua esposa mais velha.
Para poder ficar, o homem arrancou da cabeça os cabelos brancos. Mas, quando foi visitar a esposa mais velha, esta lhe disse, por sua vez:
- Eu sou velha e tenho a cabeça branca; arranque, pois, os cabelos pretos que tem.
Então o homem arrancou os cabelos pretos para ficar de cabeça branca. Como repetisse sem tréguas tal procedimento, a cabeça tornou-se-lhe inteiramente calva.
A essa altura, ambas as esposas acharam-no horrível e ambas o abandonaram.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mar de histórias. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.

A ideia central do texto é

(A) a impossibilidade de agradar a todos.
(B) o problema da calvície masculina.
(C) a vaidade dos homens.
(D) a insegurança na meia-idade.


GABARITO:

01-C; 02-D; 03-A; 04-C; 05-B; 06-C; 07-A; 08-D; 09-A; 10-A. 

LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 8º e 9º ANO COM GABARITO - PARTE 01

Atividade de leitura, análise e interpretação de textos sugerida para trabalhar com estudantes do 8º e 9º ano do ensino fundamental.

QUESTÃO 01 - (Localizar informações explícitas em um texto).

A assembleia dos ratos

Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.
Tornanso-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos miados pelo telhado, fazendo sonetos à lua.
- Acho - disse um deles - que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.
Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse:
- Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoço de Faro-Fino?
Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. e a assembleia dissolveu-se no meiode geral consternação.
Dizer é fácil - fazer é que são elas!

LOBATO, Monteiro. In: Livro das Virtudes - William J. Bennett. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 308.

Na assembleia dos ratos, o projeto para atar um guizo ao pescoço do gato foi

(A) aprovado com um voto contrário.
(B) aprovado pela metade dos participantes.
(C) negado por toda a assembleia.
(D) negado pela maioria dos presentes.

QUESTÃO 02 - (Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto).

Eu tenho um sonho

Eu tenho um sonho
lutar pelos direitos dos homens
Eu tenho um sonho
tornar nosso mundo verde e limpinho
Eu tenho um sonho
de boa educação para as crianças
Eu tenho um sonho
de voar livre como um passarinho

Eu tenho um sonho
ter amigos de todas raças
Eu tenho um sonho
que o mundo viva em paz
e em parte alguma haja guerra
Eu tenho um sonho

Acabar com a pobreza na Terra
Eu tenho um sonho
Eu tenho um monte de sonhos...
Quero que todos se realizem

Mas como?
Marchemos de mãos dadas
e ombro a ombro
Para que os sonhos de todos
se realizem!

SHRESTHA, Urjana. Eu tenho um sonho. In: Jovens do mundo inteiro. Todos temos direitos: um livro de direitos humanos. 4. ed. São Paulo: Ática, 2000, p. 10.

No verso (18) "Quero que todos se realizem", o termo destacado refere-se a

(A) amigos.
(B) direitos.
(C) homens.
(D) sonhos.

QUESTÃO 03 - (Inferir o sentido de uma palavra ou expressão).

O pavão

E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glória e me faz magnífico.

BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 120.

O trecho destacado "atingir o máximo de matizes" significa o artista

(A) fazer refletir, nas penas do pavão, as cores do arco-íris.
(B) conseguir o maior número de tonalidades.
(C) fazer com que o pavão ostente suas cores.
(D) fragmentar a luz nas bolhas d'água.

QUESTÃO 04 - (Identificar o tema de um texto).

O império da vaidade

Você sabe por que a televisão, a publicidade, o cinema e os jornais defendem os músculos torneados, as vitaminas milagrosas, as modelos longilíneas e as academias de ginástica? Porque tudo isso dá dinheiro. Sabe por que ninguém fala do afeto e do respeito entre duas pessoas comuns, mesmo meio gordas, um pouco feias, que fazem piquenique na praia? Porque isso não dá dinheiro para os negociantes, mas dá prazer para os participantes. O prazer é físico, independentemente do físico que se tenha: namorar, tomar milk-shake, sentir o sol na pele, carregar o filho no colo, andar descalço, ficar em casa sem fazer nada. Os melhores prazeres são de graça - a conversa com o amigo, o cheiro do jasmim, a rua vazia de madrugada -, e a humanidade sempre gostou de conviver com eles. Comer uma feijoada com os amigos, tomar uma caipirinha no sábado também é uma grande pedida. Ter um momento de prazer é compensar muitos momentos de desprazer. Relaxar, descansar, despreocupar-se, desligar-se da competição, da áspera luta pela vida - isso é prazer.
Mas vivemos num mundo onde relaxar e desligar-se se tornou um problema. O prazer gratuito, espontâneo, está cada vez mais difícil. O que importa, o que vale, é o prazer que se compra e se exibe, o que não deixa de ser um aspecto da competição. Estamos submetidos a uma cultura atroz, que quer fazer-nos infelizes, ansiosos, neuróticos. As filhas precisam ser Xuxas, as namoradas precisam ser modelos que desfilam em Paris, os homens não podem assumir sua idade. Não vivemos a ditadura do corpo, mas seu contrário: um massacre da indústria e do comércio. Querem que sintamos culpa quando nossa silhueta fica um pouco mais gorda, não porque querem que sejamos mais saudáveis - mas porque, se não ficarmos angustiados, não faremos mais regimes, não compraremos mais produtos dietéticos, nem produtos de beleza, nem roupas e mais roupas. Precisam da nossa impotência, da nossa insegurança, da nossa angústia.
O único valor coerente que essa cultura apresenta é o narcisismo.

LEITE, Paulo Moreira. O império da vaidade. Veja, 23 ago. 1995, p. 79.

O autor pretende influenciar os leitores para que eles

(A) evitem todos os prazeres cuja obtenção depende de dinheiro.
(B) excluam de sua vida todas as atividades incentivadas pela mídia.
(C) fiquem mais em casa e voltem a fazer os programas de antigamente.
(D) sejam mais críticos em relação ao incentivo do consumo pela mídia.

QUESTÃO 05 - (Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso: propagandas, quadrinhos, foto etc.).

Folha de São Paulo, 29/04/2004.

Pela resposta do Garfield, as coisas que acontecem no mundo são

(A) assustadoras.
(B) corriqueiras.
(C) curiosas.
(D) naturais.

QUESTÃO 06 - (Identificar a ideia central de um texto).

A paranoia do corpo

Em geral, a melhor maneira de resolver a insatisfação com o físico é cuidar da parte emocional.

Não é fácil parecer com Katie Holmes, a musa do seriado preferido dos teens, Dawson's Creek ou com os galãs musculosos do seriado Malhação. Mas os jovens bem que tentam. Nunca se cuidou tanto do corpo nessa faixa etária como hoje. A Runner, uma grande rede de academias de ginástica, com 23.000 alunos espalhados em nove unidades na cidade de São Paulo, viu o público adolescente crescer mais que o adulto nos últimos cinco anos. "Acho que a academia é para os jovens de hoje o que foi a discoteca para a geração dos anos 70", acredita José Otávio Marfará, sócio de outra academia paulistana, a Reebok Sports Club. "É o lugar de confraternização, de diversão."
É saudável preocupar-se com o físico. Na adolescência, no entanto, essa preocupação costuma ser excessiva. É a chamada paranoia do corpo. Alguns exemplos. Nunca houve uma oferta tão grande de produtos de beleza destinados a adolescentes. Hoje em dia é possível resolver a maior parte dos problemas de estrias, celulite e espinhas com a ajuda da ciência. Por isso, a tentação de enxergar nos medicamentos é grande. "A garota tem a mania de recorrer aos remédios que os amigos estão usando, e muitas vezes eles não são indicados para seu tipo de pele", diz a dermatologista Iara Yoshinaga, de São Paulo, que atende adolescentes em seu consultório. São cada vez mais frequentes os casos de meninas que procuram um cirurgião plásticos em busca da solução de problemas que poderiam ser resolvidos facilmente com ginástica, cremes ou mesmo com o crescimento normal. Nunca houve também tantos casos de anorexia e bulimia. "Há dez anos essas doenças eram consideradas raríssimas. Hoje constituem quase um caso de saúde pública", avalia o psiquiatra Táki Cordás, da Universidade de São Paulo.
É claro que existem variedades de calvície, obesidade ou doenças de pele que realmente precisam de tratamento continuado. Na maioria das vezes, no entanto, a paranoia do corpo é apenas isso: paranoia. Para curá-la, a melhor maneira é tratar da mente. Nesse processo, a autoestima é fundamental. "É preciso fazer uma análise objetiva e descobrir seus pontos fortes. Todo mundo tem uma parte do corpo que acha mais bonita", sugere a psicóloga paulista Ceres Alves de Araújo, especialista em crescimento. Um dia, o teen acorda e percebe que aqueles problemas físicos que pareciam insolúveis desapareceram como num passe de mágica. Em geral, não foi o corpo que mudou. Foi a cabeça. Quando começa a se aceitar e resolve as questões emocionais básicas, o adolescente dá o primeiro passo para se tornar um adulto.

CASTRO, Letícia de. Veja Jovens. Setembro/2001, p. 56.

A ideia central do texto é

(A) as doenças raras que atacam os jovens.
(B) a preocupação do jovem com o físico.
(C) os diversos produtos de beleza para jovens.
(D) o uso exagerado de remédios pelos jovens.

QUESTÃO 07 - (Identificar a tese de um texto).

O ouro da biotecnologia

Até os bebês sabem que o patrimônio natural do Brasil é imenso. Regiões como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica - ou o que restou dela - são invejadas no mundo todo por sua biodiversidade. Até mesmo ecossistemas como o do cerrado e o da caatinga têm mais riqueza de fauna e flora do que se costuma pensar. A quantidade de água doce, madeira, minérios e outros bens naturais é amplamente citada nas escolas, nos jornais e nas conversas. O problema é que tal exaltação ufanista ("Abençoado por Deus e bonito por natureza") é diretamente proporcional à desatenção e ao desconhecimento que ainda vigoram sobre essas riquezas.
Estamos entrando numa era em que, muito mais do que nos tempos coloniais (quando pau brasil, ouro, borracha etc. eram levados em estado bruto para a Europa), a exploração comercial da natureza deu um salto de intensidade e refinamento. essa revolução tem um nome: biotecnologia. Com ela, a Amazônia, por exemplo, deixará em breve de ser uma enorme fonte "potencial" de alimentos, cosméticos, remédios e outros subprodutos: ela o será de fato - e de forma sustentável. Outro exemplo: os créditos de carbono, que terão de ser comprados do Brasil por países que poluem mais do que podem, poderão significar forte entrada de divisas.
Com sua pesquisa científica carente, indefinição quanto à legislação e dificuldades nas questões de patenteamento, o Brasil não consegue transformar essa riqueza natural em riqueza financeira. diversos produtos autóctones, como o cupuaçu, já foram registrados por estrangeiros - que nos obrigarão a pagar pelo uso de um bem original daqui, caso queiramos (e saibamos) produzir algo em escala com ele. Além disso, a biopirataria segue crescente. Até mesmo os índios deixam que plantas e animais sejam levados ilegalmente para o exterior, onde provavelmente serão vendidos a peso de ouro. Resumo da questão: ou o Brasil acorda para a nova realidade econômica global, ou continuará perdendo dinheiro como fruta no chão.

PIZA, Daniel. O Estado de S. Paulo.

O texto defende a tese de que

(A) a Amazônia é fonte "potencial" de riquezas.
(B) as plantas e os animais são levados ilegalmente.
(C) o Brasil desconhece o valor de seus bens naturais.
(D) os bens naturais são citados na escola.

QUESTÃO 08 - (Estabelecer relação entre a tese e os argumentos oferecidos para sustentá-la).

O namoro na adolescência

Um namoro, para acontecer de forma positiva, precisa de vários ingredientes: a começar pela família, que não seja muito rígida e atrasada nos seus valores, seja conversável, e, ao mesmo tempo, tenha limites muito claros de comportamento. O adolescente precisa disto, para se sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com o próprio adolescente e suas condições internas, que determinarão suas necessidades e a própria escolha. São fatores inconscientes, que fazem com que a Mariazinha se encante com o jeito tímido do João e não dê pelota para o herói da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a relação harmoniosa ou não entre os pais do adolescente, também influenciarão o seu namoro.
Um relacionamento em que um dos parceiros vem de um lar em crise, é, de saída, dose de leão para o outro, que passa a ser utilizado como anteparo de todas as dores e frustrações. geralmente, esta carga é demais para o outro parceiro, que também enfrenta suas crises pelas próprias condições de adolescente. entrar em contato com a outra pessoa, senti-la, ouvi-la, depender dela afetivamente e, ao mesmo tempo, não massacrá-la de exigências, e não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em qualquer idade. Mas é assim que começa este aprendizado de relacionar-se afetivamente e que vai durar a vida toda.

SUPLICY, Marta. A condição da mulher. São Paulo: Brasiliense, 1984.

Para um namoro acontecer de forma positiva, o adolescente precisa do apoio da família. O argumento que defende essa ideia é

(A) a família é o anteparo das frustrações.
(B) a família tem uma relação harmoniosa.
(C) o apoio da família dá segurança ao jovem.
(D) o adolescente segue o exemplo da família.

QUESTÃO 09 - (Diferenciar as partes principais das secundárias em um texto).

Animais no espaço

Vários animais viajaram pelo espaço como astronautas.
Os russos já usaram cachorros em suas experiências. Eles têm o sistema cardíaco parecido com o dos seres humanos. Estudando o que acontece com eles, os cientistas descobrem quais problemas podem acontecer com as pessoas.
A cadela Laika, tripulante da Sputnik-2, foi o primeiro ser vivo ao espaço, em novembro de 1957, quatro anos antes do primeiro homem, o astronauta Gagarin.
Os norte-americanos gostam de fazer experiências científicas espaciais com macacos, pois o corpo deles se parece com o humano. O chimpanzé é o preferido porque é inteligente e convive melhor com o homem do que as outras espécies de macacos. Ele aprende a comer alimentos sintéticos e não se incomoda com a roupa espacial.
Além disso, os macacos são treinados e podem fazer tarefas a bordo, como acionar os comandos das naves, quando as luzes coloridas acendem no painel, por exemplo.
Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço, em novembro de 1961, a bordo da nave Mercury/Atlas 5. A nave de Enos teve problemas, mas ele voltou são e salvo, depois de ter trabalhado direitinho. Seu único erro foi ter comido muito depressa as pastilhas de banana durante as refeições.

Folha de São Paulo, 26 de janeiro de 1996.

No texto "Animais no espaço", uma das informações principais é

(A) "A cadela Laika [...] foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço".
(B) "Vários animais viajaram pelo espaço como astronauta".
(C) "Os russos já usavam cachorros em suas experiências".
(D)  "Enos foi o mais famoso macaco a viajar para o espaço".

QUESTÃO 10 - (Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa).

Urubus e Sabiás

Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram do-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam por Vossa Excelência.
Tudo ia muito bem até que a doce tranquilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos, tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.
" - Onde estão os documentos de seus concursos?" E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvesse. Não haviam passado por escolas de  canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam, simplesmente...
- Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.
E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás.

Moral: Em terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá.

ALVES, Rubem. Estórias de quem gosta de ensinar. São Paulo: Ars Poética, 1985, p.81-82.

No contexto, o que gera o conflito é

(A) o desejo dos urubus de aprender a cantar.
(B) a competição para eleger o melhor urubu.
(C) a escola para formar aves cantoras.
(D) o concurso de canto para conferir diplomas.


GABARITO:

01-A; 02-D; 03-D; 04-D; 05-A; 06-B; 07-C; 08-C; 09-B; 10-A;        




sábado, 16 de dezembro de 2017

QUESTÕES DO ENEM COM GABARITO - LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

01 - ENEM (2009) - QUESTÃO 93

Gerente - Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente - estou interessado em financiamento para compra de veículo.
Gerente - Nós dispomos de várias modalidades de crédito.
O senhor é nosso cliente?
Cliente - Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco.
Gerente - Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.

BORTONI-RICARDO, S.M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).

Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido

(A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade.
(B) à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco.
(C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais).
(D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo.
(E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio.
  
02 - ENEM (2009) - QUESTÃO 104

Diferentemente do texto escrito, que em geral compele os leitores a lerem numa onda linear - da esquerda para a direita e de cima para baixo, na página impressa - hipertextos encorajam os leitores a moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e não sequencialmente. Considerando que o hipertexto oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas decisões como novos caminhos, inserindo informações novas, o leitor-navegador passa a ter um papel mais ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor de texto impresso. Dificilmente dois leitores de hipertextos farão os mesmos caminhos e tomarão as mesmas decisões.

MARCUSCHI, L.A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio: Lucerna, 2007.

No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o conhecimento por ele produzido, o texto apresentado deixa claro que o hipertexto muda a noção tradicional de autoria, porque

(A) é o leitor que constrói a versão final do texto.
(B) o autor detém o controle absoluto do que escreve.
(C) aclara os limites entre o leitor e o autor.
(D) propicia um evento textual-interativo em que apenas o autor é ativo.
(E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe para o leitor.

03 - ENEM (2009) - QUESTÃO 103

Saúde, no modelo atual de qualidade de vida, é o resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, trabalho, transporte, lazer, serviços médicos e acesso à atividade física regular. Quanto ao acesso à atividade física, um dos elementos essenciais é a aptidão física, entendida como a capacidade de a pessoa utilizar seu corpo - incluindo músculos, esqueleto, coração, enfim, todas as partes -, de forma eficiente em suas atividades cotidianas; logo, quando se avalia a saúde de uma pessoa, a aptidão física deve ser levada em conta. A partir desse contexto, considera-se que uma pessoa tem boa aptidão física quando

(A) apresenta uma postura regular.
(B) pode se exercitar por períodos curtos de tempo.
(C) pode desenvolver as atividades físicas do dia a dia, independente de sua idade.
(D) pode executar suas atividades do dia a dia com vigor, atenção e uma fadiga de moderada e intensa.
(E) pode exercer atividades físicas no final do dia, mas suas reservas de energia são insuficientes para atividades intelectuais.

04 - ENEM (2009) - QUESTÃO 110

O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004, propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime e gratuita, colocando à disposição de todos os usuários da Internet, uma biblioteca virtual que deverá constituir referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.
Esse portal constitui um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada.

BRASIL. Ministério da Educação. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 29 jul. 2009 (adaptado).

Considerando a função social das informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, o ambiente virtual descrito no texto exemplifica

(A) a dependência das escolas públicas quanto ao uso de sistemas de informação.
(B) a ampliação do grau de interação entre as pessoas, a partir de tecnologia convencional.
(C) a democratização da informação, por meio da disponibilização de conteúdo cultural e científico à sociedade.
(D) a comercialização do acesso a diversas produções culturais nacionais e estrangeiras via tecnologia da informação e da comunicação.
(E) a produção de repertório cultural direcionado a acadêmicos e educadores.

05 - ENEM (2009) - QUESTÃO 115

Canção do vento e da minha vida

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos, 
O vento varria as flores...
          E a minha vida ficava
          Cada vez mais cheia
          De frutos, de flores, de folhas.

[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
          E a minha vida ficava
          Cada vez mais cheia
          De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
          E a minha vida ficava
          Cada vez mais cheia
          De tudo.

BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguliar, 1967.

Predomina no texto a função da linguagem

(A) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
(B) metalinguística, porque há explicação do significado das expressões.
(C) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma ação.
(D) referencial, já que são apresentadas informações sobre acontecimentos e fatos reais.
(E) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e artística da estrutura do texto.

06 - ENEM (2009) - QUESTÃO 106

Texto I

É praticamente impossível imaginarmos nossas vidas sem o plástico. Ele está presente em embalagens de alimentos, bebidas e remédios, além de eletrodomésticos, automóveis etc. Esse uso ocorre devido à sua atoxicidade e à inércia, isto é: quando em contato com outras substâncias, o plástico não as contamina; ao contrário, protege o produto embalado. Outras duas grandes vantagens garantem o uso dos plásticos em larga escala: são leves, quase não alteram o peso do material embalado, e são 100% recicláveis, fato que, infelizmente, não é aproveitado, visto que, em todo o mundo, a porcentagem de plástico reciclado, quando comparado ao total produzido, ainda é irrelevante.

Revista Mãe Terra. Minuano, ano I, n. 6 (adaptado)

Texto II

Sacolas plásticas são leves e voam ao vento. Por isso, elas entopem esgotos e bueiros, causando enchentes. São encontradas até no estômago de tartarugas marinhas, baleias, focas e golfinhos, mortos por sufocamento.
Sacolas plásticas descartáveis são gratuitas para os consumidores, mas tem um custo incalculável para o meio ambiente.

Veja. 8 jul. 2009. Fragmentos de texto publicitário do Instituto Akatu pelo Consumo consciente.

Em contraste com o texto I, no texto II são empregadas, predominantemente, estratégias argumentativas que

(A) atraem o leitor por meio de previsões para o futuro.
(B) apelam à emoção do leitor, mencionando a morte de animais.
(C) orientam o leitor a respeito dos modos de usar conscientemente as sacolas plásticas.
(D) intimidam o leitor com as nocivas consequências do uso indiscriminado de sacolas plásticas.
(E) recorrem à informação, por meio de constatações, para convencer o leitor a evitar o uso de sacolas plásticas.

07 - ENEM (2009) - QUESTÃO 112

Cuitelinho

Cheguei n abera do porto
Onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
Senta na bera da praia.
E o cuitelinho não gosta
Que o botão da rosa caia.

Quando eu vim da minha terra,
Despedi da parentaia.
Eu entrei em Mato Grosso,
Dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução,
Enfrentei fortes bataia.

A tua saudade corta
Como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
Bate uma e outra faia.
E os oio se enche d'água
Que até a vista se atrapaia.

Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó.
BORTONI-RICARDO, S.M. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004.

Transmitida por gerações, a canção Cuitelinho manifesta aspectos culturais de um povo, nos quais se inclui sua forma de falar, além de registrar um momento histórico. Depreende-se disso que a importância em preservar a produção cultural de uma nação consiste no fato de que produções como a canção Cuitelinho evidenciam a

(A) recriação da realidade brasileira de forma ficcional.
(B) criação neológica na língua portuguesa.
(C) formação da identidade nacional por meio da tradição oral.
(D) incorreção da língua portuguesa que é falada por pessoas do interior do Brasil.
(E) padronização de palavras que variam regionalmente, mas possuem mesmo significado.



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GABARITO

01-A; 02-A; 03-C; 04-C; 05-E; 06-E; 07-C;  

sábado, 25 de novembro de 2017

ATIVIDADES DE FONOLOGIA COM GABARITO

GRAMÁTICA NORMATIVA  - ATIVIDADES PRÁTICAS

1. Conte as letras e os fonemas das seguintes palavras:

a) assessor
b) bochecha
c) xereta
d) tóxico
e) máximo
f) tamanho
g) falha
h) companhia
i) miscelânea
j) excesso
k) guerrilha
l) costa
m) piscina
n) plebiscito
o) recessivo
p) rescisão
q) consciência
r) janta
s) ampliar
t) queijo
u) táxi

2. Classifique os fonemas destacados, nas palavras a seguir, ou seja, em vogal e semivogal.
a) pai
b) mau
c) mal
d) ciência
e) ouro
f) pão
g) muito
h) doido
i) tênue
j) refém
k) estavam
l) história
m) sai
n) viu
o) Uruguai
p) água
q) vva
r) rna
s) c

3. Classifique todas estas palavras quanto à posição da sílaba tônica, ou seja, em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.

a) musical
b) república
c) casinha
d) Nélson
e) condor
f) ínterim
g) recorde
h) tatu
i) paletó
j) caráter
k) música
l) política
m) ridículo
n) Ítaca
o) Marisa
p) balé
q) casal
r) item
s) Fidel
t) Surubim
u) Júpiter

4. Faça a divisão silábica das palavras a seguir:

a) interestadual
b) subregional
c) subalterno
d) antimofo
e) pacto
f) supercivilização
g) superfluidade
h) invicto
i) arremesso
j) ritmo
k) perspicaz
l) excesso
m) caracteres
n) oblíquo
o) história
p) melancia
q) Paraguai
r) saguão
s) inspetoria
t) destrói
u) aí

5. Assinale (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas.

a. (   ) A alma de uma sílaba é a vogal; não há sílaba sem vogal.
b. (   ) Uma sílaba pode ser constituída exclusivamente por uma vogal.
c. (   ) Uma sílaba sempre é emitida num só impulso expiratório.
d. (   ) Está correta a divisão de sílaba em: "es-qui-zo-fre-nia".
e. (   ) Há um ditongo decrescente em "Páscoa".
f. (   ) A palavra "miragem" tem 7 letras e 6 fonemas.
g. (   ) Há um ditongo decrescente no final da palavra "ferrugem".
h. (   ) Álibi é exemplo de uma palavra proparoxítona.

6. Classifique os encontros vocálicos destacados, ou seja, em hiato, ditongo crescente, ditongo decrescente e tritongo.

a) quanto
b) mãe
c) Deus
d) Ilhéus
e) fêmea
f) Paraguai
g) bacia
h)rea
i) contdo
j) saiu
k) série
l) vácuo
m) pátio
n) saguão
o) bueiro
p) b
q) coelho
r) dois
s) quando
t) muito

7. Classifique as palavras a seguir quanto ao número de sílabas, ou seja, em monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas.

a) leite
b) americano
c) roer
d) boi
e) ouvido
f) circuito
g) infecção
h) excluir
i) digno
j) Israel
k) fricção
l) técnico
m) pneu
n) véus
o) caí
p) submarino
q) transtorno
r) substância

8. Qual é o fonema que, necessariamente, aparece na formação das sílabas em português?

9. Assinale o grupo em que todas as palavras são constituída de encontros consonantais perfeitos.

(A) têxtil, poliglota, cacto.
(B) recorde, prazer, óbvio.
(C) próprio, rubrica, primata.
(D) fralda, chuvisco, esperto.
(E) prato, trapo, obter. 

10. Assinale o grupo em que todas as palavras estão partidas corretamente.

(A) i-do-ne-i-da-de; i-do-la-tria; i-de-ia.
(B) i-dei-a; i-dô-ne-o; me-lan-ci-a.
(C) me-lan-cia; len-dá-rio; lei-tu-ra.
(D) le-i-tu-ra; len-dá-ri-o; lei-tor.
(E) fo-ci-nhei-ra; flo-rí-fe-ro; ga-li-leu.

11. Nas palavras casa, exame, riqueza, três letras diferentes representam um mesmo som consonantal. Indique qual é o som e quais são as letras que o representam.

12. Nas palavras bruxa, examinador, crucifixo, a letra x representa o mesmo som? Explique.

13. Leia as palavras do quadro abaixo:


cão          averiguei    sapato
lei              pais               duque
cinquenta            compreender
saúde            país          saguão
fixo          voar       guerra

Copie do quadro acima o que se pede:

a) Os vocábulos que contêm ditongo:
b) Os vocábulos que contêm tritongo:
c) Os vocábulos que contêm hiato:

14.Todos os vocábulos que seguem apresentam tritongos. Classifique-os em orais ou nasais.

a) quais
b) Paraguai
c) extinguiu
d) quão
e) saguões
f) lingual

15. Leia o poema a seguir:

Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
fica uma pepita.

(Guilherme de Almeida)

Copie do poema duas palavras que contém dígrafo.

16. É correto dizer que o i da palavra pepita e o i de bateia são duas vogais? Explique.

17. Assinale (V) para as afirmações verdadeiras e (F) para as falsas.

a. (   ) Na palavra "pombo" tem um dígrafo vocálico.
b. (   ) Não há dígrafo na palavra "cheque".
c. (   ) Há um dígrafo consonantal na palavra "desça".
d. (   ) Está correta a divisão de sílaba em: "jar-di-nei-ro".
e. (   ) A palavra "hotel" tem 5 letras e 4 fonemas.
f. (   ) A palavra "asfixia" tem 7 letras e 8 fonemas.
g. (   ) A palavra "excelente" tem 9 letras e 9 fonemas.
h. (   ) A palavra ruim possui duas sílabas.


GABARITO

1. a) 8L/6F; b) 8L/6F; c) 6L/6F; d) 6L/7F; e) 6L/6F; f) 7L/6F; g) 5L/4F; h) 9L/7F;  i)10L/9F; j) 7L/5F; k) 9L/6F; l) 5L/5F; m) 7L/6F; n) 10L/9F; o) 9L/8F; p) 8L/7F; q) 11L/8F; r) 5L/4F; s) 7L/6F; t) 6L/5F; u) 4L/5F.

2. a) a - vogal, i - semivogal; b) a- vogal, u - semivogal; c) a - vogal, (w) semivogal; d) i - semivogal, a - vogal; e) o - vogal, u - semivogal; f) ã - vogal, o - semivogal; g) u - vogal, i - semivogal; h) o - vogal, i - semivogal; i) u - semivogal, e - vogal; j) e - vogal, (y) semivogal; k) ã - vogal, (w) - semivogal; l) i - semivogal, a - vogal; m) a - vogal, i - semivogal; n) i - vogal, u - semivogal; o) u - semivogal, a - vogal, i - semivogal; p) u - semivogal, a - vogal; q) i - vogal, ú - vogal; r) u - vogal, í - vogal; s) a - vogal, í - vogal.

3. a) oxítona; b) proparoxítona; c) paroxítona; d) paroxítona; e) oxítona; f) proparoxítona; g) paroxítona; h) oxítona; i) oxítona; j) paroxítona; k) proparoxítona; l) proparoxítona; m) proparoxítona; n) proparoxítona; o) paroxítona; p) oxítona; q) oxítona; r) paroxítona; s) oxítona; t) oxítona; u) proparoxítona.

4. a) in-te-res-ta-du-al; b) sub-re-gi-o-nal; c) su-bal-ter-no; d) an-ti-mo-fo; e) pac-to; f) su-per-ci-vi-li-za-ção; g) su-per-flu-i-da-de; h) in-vic-to; i) a-re-mes-so; j) rit-mo; k) pers-pi-caz; l) ex-ces-so; m) ca-rac-te-res; n) o-blí-quo; o) his-tó-ria; p) me-lan-ci-a; q) Pa-ra-guai; r) sa-guão; s) ins-pe-to-ri-a; t) des-trói; u) a-í.

5. a. (V); b. (V); c. (V); d. (F); e. (F); f. (F); g. (V); h. (V).

6. a) ditongo crescente; b) ditongo decrescente; c) ditongo decrescente; d) ditongo decrescente; e) ditongo crescente; f) tritongo; g) hiato; h) hiato; i) hiato; j) ditongo decrescente; k) ditongo crescente; l) ditongo crescente; m) ditongo crescente; n) tritongo; o) hiato; p) hiato; q) hiato; r) ditongo decrescente; s) ditongo crescente; t) ditongo decrescente.

7. a) dissílaba; b) polissílaba; c) dissílaba; d) monossílaba; e) trissílaba; f) trissílaba; g) trissílaba; h) trissílaba; i) dissílaba; j) trissílaba; k) dissílaba; l) trissílaba; m) monossílaba; n) monossílaba; o) dissílaba; p) polissílaba; q) trissílaba; r) trissílaba.

8. Vogal.

9. C

10. E

11. O som é z e as letras que o representam são s, x, z.

12. não. Em bruxa, o x representa o som ch; em examinador, o som z; em crucifixo, o som ks.

13. a) cão, lei, pais, cinquenta; b) averiguei, saguão; c) país, saúde, voar, compreender.

14. a) oral; b) oral; c) oral; d) nasal; e) nasal; f) oral.

15. Escorre (rr) dígrafo consonantal; enfim (en/im) dígrafos vocálicos.

16. Não. O i de pepita é uma vogal e o i de bateia é uma semivogal.

17. a. (V); b. (F); c. (V); d. (V); e. (V); f. (V); g. (F); h. (V).


 
 

 

   

quinta-feira, 4 de maio de 2017

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Atividades - Funções de linguagem - 1º ano do Ensino Médio

Caro estudante,


Clique no link abaixo e responda os exercícios sobre as Funções de linguagem.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL - QUEM SÃO ELES? 6º ANO FUNDAMENTAL

QUEM SÃO ELES?

Espremidos entre a infância e a adolescência, os pré-adolescentes vivem a dualidade dessas duas fases de vida a um só tempo.

Por Beatriz Teixeira de Salles

Quando os pais querem que eles façam alguma coisa, lá vem o discurso: “Você já é bem grandinho”; mas quando os pais não querem liberá-los para ir algum lugar ou fazer determinada coisa, lascam: “Você ainda é muito novo, não pode!” Afinal, são muito novos ou já cresceram? Esse é apenas um exemplo da dificuldade de ser pré-adolescente, ou melhor, de ser quase adolescente, pois o termo pré-adolescência não é reconhecido cientificamente.
Eles estão na faixa entre os 10 e 13 anos, vivem uma enorme diferença de desenvolvimento, não só sexual quanto psicológica, entre meninos e meninas e até dentro do mesmo sexo, e vivem entre a alegria infantil da falta de responsabilidade e a tão sonhada adolescência, quando algumas “regalias” do mundo adulto lhes são permitidas.
Em conversa com Thiago, 12 anos, Isabella, 12, Cecília, 11, e Frederico, 10, a gente pode ver um pouco do perfil dessa moçada que vive nesse intervalo entre a infância e a adolescência.
Eles mesmos admitem que, dependendo da situação, sentem-se crianças ou adolescentes. “Às vezes me incomoda ver que meus pais não acreditam que eu possa fazer algumas coisas. Se quero ir sozinha ao shopping, não posso. Mas, se quero brincar de bonecas, eles falam que já sou grande”, conta Isabella.
Para Fernanda, a preocupação dos pais se divide entre a ameaça da violência real e um pouco de neura. “Os pais são muito imaginativos, só pensam que coisas ruins vão acontecer”, emenda Thiago. Frederico se queixa de não poder ir a reuniões de grupo sozinho, Cecília não tem autorização para andar de ônibus sozinha e por aí vai. Porém, todos reconhecem que “dá para entender” a preocupação dos pais e que, levando-se em conta a forma como foram criados, hoje são até liberais.

Fonte: ESTADO DE MINAS. Caderno Feminino, Belo Horizonte, 14 maio 2000, p. 10. In: SOARES, Magda. Português: uma proposta para o letramento. São Paulo: Moderna, 2012, p. 17. 

REFLETINDO SOBRE O TEXTO

1. Que tipo de frase é usada no título do texto?

2. O que significa o termo “pré-adolescente” no texto?

3. Segundo o texto, qual é o discurso dos pais quando querem que os filhos façam alguma coisa?

4. Qual é o discurso dos pais quando querem proibir os filhos de algo?

5. Há no desenvolvimento do texto alguma frase interrogativa? Que sinal de pontuação foi utilizado nessa frase? Reescreva-a.

6. Segundo o texto, que idade marca a fase dos pré-adolescentes?

7. Releia o segundo parágrafo do texto e responda qual é o tipo de comportamento de um pré-adolescente?

8. Quem são os pré-adolescentes citados no texto?

9. Reescreva o depoimento de Isabella.

10. Que tipo de sinal de pontuação foi usado para marcar a fala de Isabella?

11. Qual é a opinião da pré-adolescente Fernanda?

12. Qual é a opinião do Thiago?

13. Qual é a reclamação de Frederico?

14. Qual é a reclamação de Cecília?

15.  No final os pré-adolescentes tem um pensamento em comum. Qual é?


**Questões elaboradas pelo prof. Elisandro Félix de Lima

GABARITO

1. Frase interrogativa.
2. O pré-adolescente é quase um adolescente, é uma fase do indivíduo entre a infância e a adolescência.
3. "Você já é bem grandinho".
4. "Você ainda é muito novo, não pode!"
5. Sim. Ponto de interrogação (?). "Afinal, são muito novos ou já cresceram.
6. Eles estão na faixa entre os 10 e 13 anos.
7. Vivem uma enorme diferença de desenvolvimento, não só sexual quanto psicológica, entre meninos e meninas e até dentro do mesmo sexo, e vivem entre a alegria infantil da falta de responsabilidade e a tão sonhada adolescência.
8. Thiago, Isabella, Cecília, Frederico e Fernanda.
9. Às vezes me incomoda ver que meus pais não acreditam que eu possa fazer algumas coisas. se quero ir sozinha ao shopping, não posso. Mas, se quero brincar de bonecas, eles falam que já sou grande".
10. Aspas.
11. A preocupação dos pais se divide entre a ameaça da violência real e um pouco de neura.
12. "Os pais são muito imaginativos, só pensam que coisas ruins vão acontecer".
13. "Se queixa de não poder ir a reuniões de grupo sozinho".
14. Não tem autorização para andar de ônibus sozinha e por aí vai.
15. "Dá para entender" a preocupação dos pais e que, os pais de hoje são até liberais em vista de alguns pais no passado.




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